Hoje, quem está postando é o Rafael, marido da Lívia! Estou escrevendo por um motivo especial. Estas são as primeiras fotos que faço com uma câmera de filme! (Na verdade, quando era criança, cheguei a tirar algumas fotos com a câmera lá de casa, mas isso nem conta, né?)
Foi assim que aconteceu: eu estava procurando uma câmera prática, que eu pudesse levar comigo para todo canto, sem medo, assim evitando de arriscar as câmeras que eu uso para trabalhar. Acabei achando, num leilão online, uma oportunidade que me chamou a atenção: uma câmera de filme, 14 anos mais velha do que eu, funcionando normalmente. Ei-la:
Eu estava namorando a idéia de fotografar com filme, já há algum tempo. Ao ler que alguns dos fotógrafos, de cujo trabalho sou fã, utilizam câmeras de filme ao invés das digitais, fiquei curioso.
Para mim, fotografar é meio que buscar liberdade – você tenta fugir dos padrões que a sua cabeça está programada a usar – e achar sempre um ângulo novo. Cria um truque novo para registrar imagens de outra forma…etc. Por isso sempre gostei das digitais, são uma ótima ferramenta de aprendizado. O digital implica liberdade sem limites: tire quantas fotos quiser, com infinitas regulagens diferentes, aplique quantos ajustes e efeitos quiser, e, se não gostar, aperte ctrl+z.
Mas depois de um tempo, você às vezes enxerga (foi o que aconteceu comigo, pelo menos) que até liberdade infinita é, de vez em quando, uma prisão, que pode te impedir de crescer. E a idéia de não precisar tratar uma foto, de não ter que selecionar uma dentre dez fotos iguais, de aceitar que o que sair da câmera vai ser definitivo e único… Essa idéia começa a ter um tom de liberdade também.
Você tem 36 chances de ser criativo, por vez. Cada clique conta, e há uma mágica nisso, eu agora admito. É igual a diferença entre pintar um quadro e desenhar no photoshop.
Eu estava feliz por ter comprado, por uma barganha, uma câmera que não precisa de pilhas ou baterias, nem atrai ladrões, que é toda feita de metal maciço e provavelmente vai durar mais uns 30 anos (enquanto digitais de 5 anos atrás estão caindo aos pedaços). Restava ver se as imagens que ela registraria sairiam bonitas! Comprei um rolo de filme, e fiz estas fotos da Lívia, testando a câmera.
Fiquei besta de ver como as cores (principalmente os verdes) e o contraste já saíram do jeito que eu gosto (enquanto com a minha câmera digital, eu nunca resisto a fazer um ajuste).
Estou muito feliz com essa descoberta, e queria compartilhar. Sinto que será uma longa e bonita amizade, Sr. Filme. Talvez possamos até trabalhar juntos!

