Sonhando acordada em Moustiers Sainte Marie

Postado por: Lívia Kizli | Categorias: Câmeras na Estrada

Diário de Viagem - Sul da França - Moustiers Sainte Marie - Travel guide

Senta que lá vem a história!

Já tem um pouco mais de um ano que passamos esses dois dias em Moustiers-Sainte-Marie, mas o efeito que as lembranças de lá tem em mim não diminuem, muito pelo contrário, acho que só aumenta quanto mais o tempo vai passando. É uma sensação tão boa, uma mistura de alegria com gratidão, incredulidade, saudade, orgulho, haha… Acho que esses foram alguns dos dias mais mágicos da minha vida, e comprovou de uma vez por todas (pelo menos pra gente!) que não há melhor forma de gastar nosso dinheirinho nessa vida do que viajando pros lugares que você sonha conhecer. Infelizmente a situação que a gente vive no país faz com que isso fique cada vez mais difícil, mas nem assim eu desisto! Continuo planejando minhas viagens dos sonhos e acreditando que um dia vou conseguir realizar cada uma delas, bem no estilo “O Segredo” hehe.

Saímos de Aix umas onze da manhã e pegamos nosso carrinho alugado (fiz isso online, ainda no Brasil) na estação de trem. Primeiras emoções do dia:

– Conseguir passar o GPS que estava em francês para inglês;

– Sair da estação de trem e cair direto numa estrada desconhecida e nos acostumar com as placas de trânsito com texto apenas em francês!

Agora eu acho isso tudo engraçadíssimo, mas na hora surtei! Foi graças ao temperamento beeeem mais calmo do Rafael que tudo deu certo, hehe!

De Aix até Moustiers a gente deve ter levado um pouco mais de uma hora, não me lembro bem. A estrada é perfeita, um tapete com muita paisagem bonita pra ver no caminho, principalmente quando vai chegando perto de Moustiers e começam a aparecer campos de lavandas e girassóis. Sonho! (Vamo ver quantas vezes vou repetir a palavra sonho nesse post… já chuto que umas 500!)

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Quando a gente foi se aproximando do vilarejo, meu queixo caiu – literalmente! Eu fiquei de boca aberta por umas duas horas seguidas, não acreditando no tanto que aquele lugar era maravilhoso! Chegamos famintos então a primeira coisa que a gente fez foi comer no primeiro restaurante que surgiu e provamos um vinho rosé baratinho e delicioso, feito lá mesmo em Moustiers. Só depois a gente foi fazer o check-in no hotel que é esse da foto abaixo – o Le Relais, que fica no ponto mais central de Moustiers e é uma fofura. É o lugar mais incrível onde já fiquei hospedada em toda minha vida. A diária não é cara, não é luxuoso, mas tem uma riqueza absurda de beleza e detalhes, sem contar a vista mais incrível de todas! A janela do nosso quarto dava pra uma das quedas d’água que desce entre as montanhas bem no meio da cidade. Sonho!!! ;) Moustiers-34Moustiers-44Moustiers-60Moustiers-67Moustiers-66Moustiers-21Moustiers-59Moustiers-33Moustiers-38

Pode ter certeza que eu não tô exagerando na babação por esse lugar, inclusive, Moustiers tá na lista das mais belas vilas (Plus Beaux Villages) da França!

Tudo começou com a fundação de uma Abadia, em 434, por Sainte-Maxime – bispo de Riez, que chegou no local com alguns monges. No princípio eles ocuparam cavernas nas formações rochosas. Por volta do século 10, construíram uma aldeia permanente no local da vila atual.

A cidade foi governada pelos Lordes da família Moustiers até o século 12. No final do século 14, Moustiers foi destruída e os ocupantes massacrados durante a sucessão da Rainha Joana. 

Em 1685 a vila foi completamente inundada, e depois novamente em 1702.

A cidade tinha uma indústria de faïence famosa que a fez rica durante os séculos 17 e 18 (e está tendo um retorno agora). Faïence é o termo usado para uma variedade de cerâmica, incluindo muitos tipos de louças e porcelanas pintadas, geralmente com temas florais. A maioria das lojas fazem a sua própria cerâmica faïence, que costumam ser peças únicas e produzidas em ateliês fora da vila – e sim, os precinhos são bem salgados!

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A gente chegou num final de semana ensolarado, então a vila estava bem cheia. As pessoas no hotel, nas lojinhas e até mesmo os outros turistas nas ruas, todos eram sempre muito educados e gentis. Eu comecei a gripar no dia que chegamos lá, e fui numa mini farmacinha (que encontrei com muita sorte) para comprar um antitérmico. A atendente – que não falava inglês – foi tão simpática, se esforçou tanto pra me explicar como usar o medicamento. Bonitinho demais! E os franceses com essa fama infudada de ser grosseiros com os turistas… Se tem um coisa que aprendi com essa viagem é que não vale a pena cair nesses preconceitos que generalizam toda uma população sem antes ter tido a sua própria experiência.

Um dos highlights de Moustiers é a vista destes pequenos desfiladeiros, com cascatas de água cristalina rodeadas por muito verde e por construções medievais. O som do rio e das fontes espalhadas por todo o povoado são a trilha sonora perfeita pra esse cenário divino. Ah, e por falar nas fontes, elas garantem água geladinha, ultra potável e de graça durante todo o passeio por lá. Provavelmente é a água mais pura que já bebemos na vida, haha.

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Depois de rodar bastante pelas ruelas da cidade, a gente decidiu ir explorar a construção mais alta da vila, que se destaca por estar sozinha, lá no alto da montanha. São 262 degraus de subida e muitas rampas, tudo de pedra bem escorregadia! Graças a deus pelos corrimões (fui dependurada neles por quase toda a subida e descida, kkk). Quando a gente tava subindo, o tempo começou a fechar e eu surtei (de novo!) com medo de sair rolando naquela escadaria de pedra – se já tava patinando com ela seca, imagina molhada!

Mas, mais uma vez Rafael conseguiu me dar uma tranquilizada e continuamos! E nossa, AINDA BEM!!! Se eu tivesse desistido dessa subida, ia perder um dos momentos mais emocionantes da vida! Como o tempo tinha fechado, não sobrou mais ninguém nessa “trilha” (todos medrosos como eu!) então eu e Rafael tivemos a Capela de Notre Dame de Beauvoir todinha para nós! Sozinhos (nem o padre, vigia ou qualquer funcionário à vista), no alto de uma montanha, numa igreja do século 12, totalmente escura, exceto pela luz de velas perto do altar… Lendo assim pode até parecer uma cena meio assustadora, mas juro pra vocês, a sensação de paz que tomou conta de mim e do Rafael foi uma das coisas mais inesquecíveis que já senti. Por alguns minutos fiquei lá, paradinha, só curtindo o momento. Quando a gente olhava um pro outro, nem conseguia comentar nada… faltava palavras pra falar de algo tão incrível.

Nesse dia a gente ainda não sabia, mas essa capela é reconhecida como um santuário dedicado à Virgem Maria, onde 336 milagres foram registrados entre 1666 e 1673, a maioria ligados à ressurreição.

A vista lá de cima é um show a parte! Dá pra ver toda a vila de Moustiers, a torre de outra capela da vila – a Notre Dame de l’Assomption, as casas, janelas e telhados coloridos. Na hora de descer a escadaria a gente estava num estado super zen, e foi muito gostoso aproveitar esse momento com calma, ir parando no caminho pra contemplar e fotografar.

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O pontinho dourado no céu da foto acima, é um reconhecido símbolo de Moustiers – a estrela dourada de cinco pontas, que fica suspensa acima da vila entre duas rochas super altas. A origem dessa estrela é cercada de mistério. Foi mencionada pela primeira vez, por historiadores do século 17, que eram incapazes de explicar a sua presença, e desde então surgiram muitas teorias conflitantes.

 A versão que a gente ficou sabendo (e acho que é a mais conhecida) é a que conta que a estrela surgiu como um pagamento de promessa, feita por um cavaleiro da vila, feliz por ter retornado vivo das Cruzadas.

Ao longo dos séculos, a estrela foi substituída várias vezes – seja por queda natural devido ao desgaste, ou por puro vandalismo, ou na Revolução Francesa, quando foi removida por razões ideológicas. A estrela atual precisou ser pendurada usando um helicóptero (imagina então como a estrela medieval original chegou lá?) Ela parece pequenina quando vista de baixo, mas na verdade mede 1,25 metros!

No fim do dia a estrela reflete bem os raios do sol e junto com a Capela de Notre Dame de Beauvoir no alto da montanha… ah, foto nenhuma faz jus, é uma visão de tirar o fôlego!

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Como era verão e a gente tinha luz do sol até umas 9 e meia da noite, quando começou a anoitecer pegamos o carro e seguimos uma rota em direção ao Canyon du Verdon. É uma rota circular (o recepcionista do nosso hotel que nos indicou) que levamos mais ou menos 1 hora para completar. E mais uma vez, serei obrigada a usar a palavra sonho pra descrever o visual que presenciamos nesse o percurso! Juntou a beleza da vegetação e das montanhas,  com a cor azul turquesa intensa das águas do rio Verdon e a luz mágica do pôr-do-sol, que nem foi planejada, a gente foi nesse horário na cagada por sorte!!!  Sei nem o que dizer mais, já gastei nesse post todos os adjetivos que eu conheço, kkk!

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Voltamos pra Moustiers já no escuro, felizões e prontos pra terminar o dia com chave de ouro comendo uma jantinha gostosa. E foi aí que constatamos mais uma particularidade de Moustiers… zero vida noturna!  Tava tudo fechado! Até a recepção do hotel fica fechada, a gente teve que usar uma porta nos fundos. Parecia cidade fantasma, não passava uma viva alma. Conseguimos com muito custo um lugarzinho aberto onde um senhor nos disse que naquele horário (já era umas onze da noite) o que ele poderia nos servir era leite com achocolatado ou um prato de salames. Tomamos nosso leite e fomos dormir, hahah! Com um pouquinho de fome mas flutuando de felicidade!

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No dia seguinte a gente descontou no café da manhã, haha!  O café não estava incluso na diária, mas o valor adicional vale muito a pena, achei tudo bem gostoso. Depois do café, aproveitamos pra explorar melhor os bequinhos escondidos pela vila, e também pra ver como mais calma as vitrines e produtos das lojinhas. Deixamos a vilinha para seguir rumo aos campos de lavanda, e por mais que eu estivesse super animada pra chegar logo nos campos floridos, foi bem difícil me despedir! Como pode ter tanta beleza – a natural e a que foi construída por seres humanos – tão concentrada num só lugar???  Acho que ficou bem claro por esse post como eu me apaixonei perdidamente por Moustiers!!!!!

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