Viajando com câmeras

Viajando com câmeras

Passaporte, câmeras e lentes

Sempre que vamos fazer um viagem internacional, (e não é todo dia, infelizmente) começo a pensar em quais câmeras e lentes vamos levar. E sempre me preocupo com a volta: “Será que os caras da alfândega vão achar que estou importando ilegalmente minhas próprias câmeras, que uso para trabalhar há anos?”

Depois de algumas experiências, esta preocupação com a alfândega passou a definir, em parte, o que eu levo de equipamento para uma viagem de lazer. Nunca achei muita coisa na internet sobre o assunto, então gostaria de dividir com todos aqui pelo blog. Nossa estratégia, até o momento, é a seguinte.

A ESCOLHA: Se nós ganhássemos uma viagem internacional para amanhã, eu iria com uma câmera que pudesse levar comigo para qualquer lugar do país-destino, sem medo. Acho que alguns países são mais perigosos do que outros, e cada viagem tem seu propósito. Portanto, a escolha iria variar.

Canon ftb e rolo de kodak

Se fosse uma viagem rápida, minimalista, para alguma praia, ou um lugar com menos segurança nas ruas, eu consideraria levar apenas uma SLR pré-histórica, de filme mesmo, e uma 50mm. É a escolha mais sem stress possível. Na praia, às vezes a gente quer estar só de bermuda e chinelos, sem bolsas ou tranqueiras. E em alguns momentos, teremos de abandonar a câmera, se quisermos dar um pulo no mar. A única câmera que eu me sinto semi-seguro de abandonar, por alguns momentos, é uma câmera barata de filme, que me custou menos de R$200. Também não ligo se ela pegar um pouco de areia, umidade, etc, já que câmeras mecânicas como a FTB quase não tem componentes eletrônicos. Uma SLR de filme é uma câmera barata, mas que, para nós,  não perde em qualidade de imagem – é só pedir para escanearem o negativo na revelação, e você terá arquivos digitais equivalentes aos de uma câmera de 12 megapixels ou mais! Abaixo, uma pochete que nem parece ser bolsa de câmera. Comprei em um camelô, e “recheei” com divisórias da minha mochila (essa sim, própria para câmeras) , para dar uma acolchoada.

pochete com câmera

Agora, se fosse viajar para um ambiente urbano e seguro, do primeiro mundo, eu consideraria levar as nossas “BIG GUNS”. Levaria dois corpos, mas um deles ficaria encostado, e serviria apenas para ser acoplado em uma das lentes durante a volta (isso é  muito importante! Explicarei o porquê mais para frente, na sessão “NA VOLTA”). E claro, como bônus, se um corpo morrer, teríamos outro de reserva. Quanto às lentes, levaria as duas mais versáteis que eu tivesse. Nessas horas, tenho saudade da 24-70mm. Uma zoom versátil é uma opção muito prática. Como só temos lentes fixas nesse range mais “normal”, precisamos sempre de duas lentes no mínimo (EDIT: no caso, uma 35mm e uma 85m). Claro, isso tudo é porque somos fotógrafos de casamento a tempo integral. Estamos sempre pensando em fotos! Se essa não fosse nossa vida, provavelmente pegaríamos mais leve!

Big guns

NA IDA, LEVAMOS EM CONTA O SEGUINTE: Primeiro: Eu NUNCA despacho câmeras ou lentes. Elas sempre vão na bagagem de mão, por dois motivos. Primeiro, porque quero sempre poder tirar a melhor foto possível, seja no meio do vôo, seja na sala de espera aeroporto. E as únicas câmeras realmente boas que tenho são SLRs. Se tivesse um celular com câmera legal, ou uma boa compacta, provavelmente iria me sentir menos propenso a levar os trambolhos sempre comigo! A foto abaixo eu tirei da janela do avião. Uma câmera com boa sensibilidade de ISO e sem muito ruído foi essencial. Não sei se as compactas de hoje já estão nesse nível. Opinem aí, pessoal!

asa do avião

Mas o melhor motivo para não despachar, sem dúvida,  é o fato de que  malas despachadas apanham como se estivessem em briga de torcida organizada, e sua câmera pode não aguentar a surra. Isso se não for extraviada.

Segundo: O limite de peso da mala de mão varia de acordo com o país, a empresa e o tipo de vôo. Se sua mala estiver perto do limite de peso, ou acima dele, tire a câmera de dentro dela e pendure-a no seu pescoço. A câmera pendurada em seu corpo se torna um acessório, como celular, casaco ou relógio, e essas coisas não passam por pesagens.

Terceiro: Muita gente viaja para locais onde os preços das câmeras são vantajosos. Se for viajar sozinho, e estiver planejando comprar uma câmera no lugar, vá sem câmera, e agende a compra como o primeiro evento da viagem. Faça a compra e use a câmera desde o início, pois se esta tiver algum defeito de fábrica, haverá tempo para testar e trocar se preciso.

DURANTE A VIAGEM, FAZEMOS ASSIM: Se estiver só com a câmera de filme, é só levar a pochete e pronto. Se estiver com as digitais, é porque não é um lugar perigoso. Por isso, não tem problema andar com uma bolsa que é obviamente uma bolsa de câmeras. A que usamos dá bastate na cara, mas é a melhor bolsa pequena que já tive até hoje. É uma holster da LOWEPRO:

bolsa câmera

Nela, cabem dois corpos e duas lentes. Um corpo vai no bolso externo, que é muito grande. Ainda dá pra colocar mais coisa nele, se insistir um pouco! O legal dela é que ela é pequena por fora, e grande por dentro (soa como propaganda de carro, eu sei). Na fila do check in, ninguém nunca chegou a pedir para pesá-la, de tão insignificante que ela é, para uma mala de mão. Nossa mochila de trabalho, entretanto (uma “jabuti”, da marca “alhva”) sempre chama atenção e vai pra balança.

bolso externo

Na divisão maior, cabem mais um corpo e duas lentes. Mesmo se for um corpo com grip (foto abaixo). E lembre-se: não importa para onde você vá, não dê bobeira! Em alguns países os ladrões são menos cara-de-pau, mas se a oportunidade surgir, eles aparecerão! Se for sentar em um bar, por exemplo, é bom passar uma alça da bolsa da câmera por baixo das pernas da cadeira. E sempre olhar ao seu redor, principalmente antes de puxar a câmera pra fora. Ladrões preferem esperar um turista desatento do que atacar um que está sempre de olho em tudo.

lowepro divisão maior

NA VOLTA, TOMAMOS OS SEGUINTES CUIDADOS: Primeiro –  SEMPRE voltamos com apenas UMA lente por câmera, e apenas UMA câmera por pessoa. Como eu viajo com a Lívia, isso significa duas câmeras e duas lentes. A razão é simples: ao retornar ao Brasil, é permitido entrar com seus pertences eletrônicos, que pelo padrão da alfândega, podem incluir UM computador (ou tablet), UM celular, UM relógio, UMA câmera digital, etc. Sempre um ítem de cada – se houver mais de um, é dever deles conferir e cobrar impostos, se for o caso. Lentes sem um corpo, por exemplo, são um ítem tributável – quem me disse foi um funcionário da alfândega, que me parou em uma viagem recente. Eu estava com três lentes, e corri o risco de ter de pagar imposto sobre duas delas, apesar de tê-las comprado há anos. Acontece que o funcionário era uma pessoa muito razoável, e após conferir pelo nosso CNPJ que a nossa atividade profissional era realmente de fotógrafos, ele nos liberou. Mas resolvi nunca mais correr este risco em viagens de turismo e lazer – mesmo que eu tenha vários meios de provar que o equipamento é meu (apólice de seguro do equipamento, CNPJ de fotógrafo, etc). Se quiser se arriscar, leve sempre todos os documentos que tiver para provar que é tudo seu.

Segundo – mantendo o raciocínio de uma câmera por pessoa, ponha as câmeras em bolsas separadas antes de passar pelo raio X. Assim fica mais óbvio que cada câmera pertence a um de vocês, e é mais provável que não precisem ser parados. Não caia na conveniência de fazer uma “mala das câmeras”, e jogar três ou mais câmeras numa só mala, mesmo que seja um grupo de três ou quatro viajantes. Já ouvi falar que Minas Gerais é o estado mais linha-dura no que diz respeito à Alfândega, e que em São Paulo e no Rio é mais tranquilo. Leitoras interestaduais, por favor contem-nos suas experiências nos comentários!

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4 Comments

  1. 26/09/2014 / 19:23

    Excelente post, meu caro. Mas tenho uma ressalva: apesar de não ter certeza acerca dos limites alfandegários, na minha recente viagem aos EUA, o fiscal quase tributou um Mac Mini que eu trouxe. Tive sorte que ele deduziu que custava menos de US$ 500, então passei. Mas se fosse um Macbook Pro, por exemplo, eu certamente seria taxado. Eu, que sou um fã assumido do programa da Ana Maria Braga, vi uma vez esse vídeo e acho que pode agregar algo: http://gshow.globo.com/programas/mais-voce/v2011/MaisVoce/0,,MUL1679034-10345,00.html

    Um abraço!

    • 29/09/2014 / 10:12

      Fala André! Pois é, esqueci de mencionar que tudo que eu tenho não tem cara de ser novo. Tudo tem muita marca de uso, heheheh! Acho que qualquer objeto com cara de novíssimo, e que valha mais do que $500, corre o risco de ser enquadrado, mesmo que já fosse seu antes da viagem.

  2. 26/09/2014 / 22:17

    Nossa, ótimo post! Estou planejando uma viagem longa em breve, e estava encucada com esse negócio de voltar e quererem me cobrar por algo que eu já tenho há anos. Pretendo levar uma digital e queria levar minha Instax mini polaroid da Fujifilm, será que vão encrencar? Infelizmente vou sozinha e não tenho ninguém pra “dividir”.

    • 29/09/2014 / 10:06

      Oi Gabi! Pois é, acho que é possível que impliquem sim… Uma forma óbvia de evitar problemas é ficar abaixo do limite de $500 (incluindo o preço de uma das câmeras nesse total), para ter “folga” suficiente para trazê-la como se fosse nova, sem ter que pagar imposto. Se for arriscar levar as duas, tente deixar óbvio que elas são usadas. Minhas câmeras já tem várias “cicatrizes de batalha”, por isso fica bem explícito. Imagino que as suas sejam bem novinhas né?

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